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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Participe do Curso de Jornalismo e Literatura

As relações entre o jornalismo e a literatura serão tema do novo curso livre que o Jornalirismo realiza, de 11 de setembro a 23 de outubro, aos sábados, das 9h às 16h, na Ação Educativa, em São Paulo.

Num total de 40 horas de aula, sob a responsabilidade do jornalista e escritor Guilherme Azevedo, o curso “Jornalismo e Literatura” apresenta conceitos essenciais do jornalismo e da literatura, como ponto de vista; faz uma retrospectiva do melhor texto jornalístico, na sua aproximação com a literatura; exercita a capacidade do aluno de olhar o mundo com generosidade e retratá-lo com criatividade e profundidade.

O aluno também receberá orientação sobre o desenvolvimento de projetos de grande reportagem.

O curso é indicado a profissionais da comunicação, blogueiros, jornalistas-cidadãos, estudantes de comunicação e letras, professores de português e literatura e demais interessados em se aprofundar nas relações entre o jornalismo e a literatura, para a produção de textos atraentes e saborosos.

O investimento é de duas parcelas de R$ 250,00, uma no ato da matrícula e outra para 30 dias. O valor inclui certificado.

As inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 2122 4268 ou pelo e-mail jornalirismo@eventar.com.br até o dia 8 de setembro.

O que: Curso “Jornalismo e Literatura”.
Quando: 11 de setembro a 23 de outubro de 2010, sábados, das 9h às 16h.
Duração: 40 horas.
Onde: Ação Educativa: rua General Jardim, 660, Vila Buarque, Centro de São Paulo.
Quanto: 2 X R$ 250,00 (inclui certificado).
Inscrições e informações: (11) 2122 4268 e jornalirismo@eventar.com.br

Saiba mais sobre o curso “Jornalismo e Literatura”:

Tópicos.
Eureka!: técnicas para a criação de ideias.
A literatura e a formação do homem.
A posição do homem independente na sociedade.
Histórias universais: o jornalismo e o mito moderno.
É literatura? É jornalismo? O jornalismo como gênero literário.
Técnica literária nas histórias de não-ficção: narração, descrição, ponto de vista, personagens.
Carpintaria do verbo: a busca da palavra perfeita.
O texto jornalístico transformador: New Journalism, revista Realidade, Marcos Faerman, Eliane Brum, Rubem Braga.
O exercício de outro olhar.
A apreensão lírica do cotidiano através da crônica.
Os objetos contam nossas histórias: afetividade e memória.
Formatação e desenvolvimento de projetos de grande reportagem.

Saiba mais sobre o professor.

Guilherme Azevedo estudou jornalismo na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e letras na Universidade de São Paulo. Começou no Grupo Folha, como trainee, e foi colunista da revista Caros Amigos. Escreveu os livros Propaganda popular brasileira (Editora Senac São Paulo, 2010) e As aventuras de Alencar Almeida, o repórter (Editora Casa Amarela, 2005). Atualmente é editor deste Jornalirismo e repórter freelancer.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Gomorra

É inclassificável o que se sucede no livro Gomorra. É tão desumano, tão cruel que é inimaginável pensar que estamos lendo sobre fatos reais. Escrito pelo jornalista Roberto Saviano, o best seller é um retrato verídico das experiências e observações de Saviano durante o tempo que esteve infiltrado da máfia napolitana, conhecida como Camorra.

Não há momentos de abrandamento em Gomorra. As histórias são relatadas com tanto requinte de detalhes (e isso inclui as cenas de crueldade) que se torna impossível sair ileso à leitura desta obra documental. Dividido em dois blocos, o livro reconstrói a lógica financeira e expansionista, bem como o sistema organizacional dos clãs das regiões napolitanas e casertanas, desde o Secondigliano até Casal di Principe, além de revelar estranhos rituais comerciais, que mesclam lógicas corporativas com o fatalismo fúnebre dos samurais.

Roberto Saviano constrói um trama repleta de figuras emblemáticas (e reais) de forma singular, sendo que toda àquela loucura brutal realizada pela criminalidade e presenciada por ele o torna o personagem principal, um narrador presente e à beira da morte.

Como foi dito, é impossível não sair transformado após a leitura de Gomorra. É tão absurdo o gigantismo da máfia, sua forma de ação — objetiva, fria, calculista — e seu poderio destrutivo, que fica difícil acreditar que ela será um dia controlada.

Por conta de sua obra genial, Saviano está jurado de morte pela máfia italiana e sobre custódia da polícia norte-americana. E, depois do sucesso arrebatador do livro e das ameaças, veio o filme, vencedor do Grand Prix, em Cannes 2008, para dar mais voz aos que lutam contra o crime organizado.

Portanto, Gomorra é mais do que um registro literário e audiovisual de uma desordem social. É antes a contemplação do horror sobre os olhos de um homem que jamais verá a vida como a via, pois talvez nem acredite mais nela.