quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cinema: À deriva

"À deriva" é um filme sobre relacionamentos, contado através dos olhos de quem ama. É daqueles filmes que você não vê o tempo passar, que quando acaba, você continua sentada na cadeira do cinema, estática, muda, refletindo. Você reflete sobre o que acabou de ver e sobre sua vida.

O diretor Heitor Dhalia descobriu o ponto certo. Durante 103 minutos, vemos cenas de todos os tipos: Relacionamento entre irmãos, entre casais, entre amantes... As brincadeiras de criança, os segredos, as discussões... O primeiro beijo, a primeira vez... As decepções, os “não”, os “sim”, os “talvez”... As cobranças, o dinheiro, as descobertas, as traições... O primeiro amor, o amor verdadeiro, o amor incerto, o atual: “Será que vale a pena apostar tudo em um novo amor? Deixar o amor antigo - que você um dia acreditou ser o verdadeiro -, os filhos, seu lar? E se esse novo amor realmente for o amor da sua vida, sua alma gêmea? Vai desperdiçar a oportunidade de ser feliz temendo o julgamento da sociedade?”. A gente se vê naquelas cenas, naquelas férias que simbolizam a nossa vida. É peculiar, singular. E não triste, como muitos dizem.

O elenco foi escolhido a dedo. Laura Neiva, a protagonista, tem 15 anos e é estreante no cinema. Foi surpreendente! A escolha do francês Vincent Cassel foi perfeita. Deu um toque especial à filmagem. Ao lado de Debora Bloch, eles formam um casal maduro, real, aberto a novas opiniões e pronto para discussões. Nesse papel aparentemente simples, Debora Bloch foi essencial, acertaram em cheio! Aliás, muitos pontos positivos para os produtores, que fizeram um belo trabalho de casting, utilizando redes sociais e apostando em novos talentos (Laura Neiva foi descoberta pelo Orkut e nunca havia atuado antes).

A história é ambientada em Búzios, Rio de Janeiro. Em uma das críticas que li, o jornalista dizia que “o filme abusa de tomadas que mostram o mar, a areia, as pedras, sempre em ângulos bem abertos e cheios de texturas, como que implorando para que o espectador ache tudo muito belo” e que “... É exatamente por se esforçar tanto para deslumbrar que “À deriva” acaba por revelar sua engrenagens, pensadas para agradar e facilitar para o público”. Sinceramente, achei tudo na medida certa. A fotografia é linda, sim, a textura foi muito bem aplicada, sim, e é, sim, tudo muito belo. Não vejo problema nenhum nisso. A preocupação em agradar o público deveria ser elogiada, e não tão criticada!

É, talvez eu tenha me deslumbrado com o filme. Mas é que, tendo em vista que o Heitor Dhalia havia dirigido “O cheiro do ralo”, eu fui esperando um filme mais “hard”, mais “papo-cabeça” e quando cheguei ao cinema, me deparei com um roteiro delicado e brilhantemente produzido e dirigido. É especial.

Enfim, motivos não faltam para assistir ao “À deriva”, seja para ver a paisagem de Búzios ou para se deliciar com a indiscutível atuação dos atores. Não preciso nem dizer que eu recomendo, né?

Veja o trailer abaixo e comprove no cinema:


Para mais informações, acesse: www.aderivafilme.com.br

E eles também têm blog, comunidade no Orkut e Facebook! Acessem!

Para ver os horários de exibição em São Paulo: clique aqui

Por Thais Polimeni

3 comentários:

Diogo Y Silva disse...

Olá!

Que vontade de assistr ao filme!
Super cativador, além de explicativo.
Excelente dica!

Um abraço!

Dri Viaro disse...

Bom dia, que vc tenha um fim de semana delicioso.
bjsss

corujões disse...

qto tempo!

se esforça para agradar e facilitar pro público sim, pq o q senti ao sair da sala foi uma amargura quase sem precedentes... o filme é pesado pela forma que aborda o tema proposto e mais ainda por pincelar apenas superficialmente os sentimentos todos... o tema é rico, pecou pela falta de profundidade... mas talvez tenha sido intencional, para fechar as lacunas vc acaba inserindo a sua vivência, daí a forma como eu e vc tivemos impressões tão diversas sobre o mesmo filme!